22/11/2008

MANEJO EM EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS


SUICÍDIO “Suicídio: morte auto-infligida, provocada por um ato voluntário e intencional” Sui = si mesmo Ceades = ação de matar = “assassinato ou morte de si mesmo”

Ideação suicida: é uma alteração no conteúdo do pensamento que se caracteriza por apresentar, basicamente, idéias recorrentes e/ou permanentes de perda da vontade de viver, desejo de estar morto, desejo de acabar com a própria vida e desejo de autodestruição. Constitui-se na motivação intelectual para o suicídio. O chamado plano suicida estabelece-se na evolução da ideação suicida.

Risco de suicídio: é a probabilidade de que a ideação suicida leve ao ato suicida e tenha como desfecho a morte auto-induzida. A presença de uma ideação suicida constitui um risco de suicídio que deve obrigatoriamente ser avaliado e quantificado, levando-se em conta: presença de um plano, tipo de plano, tentativas prévias e atuais. -

Encontra-se entre as 10 principais causas de morte no mundo e entre as três primeiras quando se considera a faixa etária entre 15 e 34 anos de idade;
- Em todo o mundo, aproximadamente 1000 pessoas cometem suicídio a cada dia;
- No Brasil hoje, quase 7000 vidas por ano estão sendo extintas pelo suicídio. A prevalência de suicídios é de 4 a 6 / 100.000 habitantes;
- Pesquisas têm demonstrado que 2/3 de 100 vítimas de suicídio havia consultado um médico no mês anterior ao suicídio;
* 55% havia sugerido seu suicídio para alguém em algum momento;
* 1/3 havia feito uma ameaça declarada de suicídio;

- É de conhecimento que 90% ou mais dos pacientes que cometem suicídio apresentam uma desordem psiquiátrica severa. Em função disso, o profissional de saúde deve estar atento para uma efetiva investigação frente aos transtornos mentais de maior incidência para o suicídio;
- Pacientes que comunicam sua intenção suicida podem cometer o ato. Ao contrário da crença popular de que “quem avisa não faz”;
- Dos suicídios completados, 25 a 50% são cometidos por pessoas que já haviam feito tentativa anterior. O risco de um paciente fazer uma segunda tentativa é mais alto dentro de três meses após a primeira tentativa;
- O paciente que apresentou risco de suicídio durante um episódio depressivo tende a recidivar nos casos de recaída;
- Jamais prescrever e/ou fornecer medicação em dose letal. É sensato prescrever não mais do que a medicação para uma semana. Torna-se importante o auxilio da família na administração da medicação;
- A família deve ser orientada quanto ao aumento de risco de suicídio, quando o paciente está se recuperando da depressão;
- Mudanças repentinas no comportamento, como por exemplo, uma melhora súbita na depressão deve servir de alerta: pessoas suicidas parecem ficar em paz consigo mesmas, porque chegaram a decisão secreta de cometer suicídio;

- Todos devem permanecer alerta para as comunicações diretas e indiretas de intenção suicida (mensagens ou cartas de despedida, providencias finais – acerto de contas bancárias, testamento, etc).

“PORTADOR DE TRANSTORNO MENTAL: MANEJO”

- Torna-se importante ressaltar que as orientações dadas a seguir são apenas diretrizes, extremamente gerais, que podem ser utilizadas frente a alguns sintomas apresentados pelo portador de transtorno mental; - Não se tem a pretensão de ditar condutas padronizadas – o que sabemos não ser nem indicado, nem possível – pois cada ser humano é único e tem necessidades próprias e diferentes, em diferentes momentos.

DELÍRIOS - Crenças falsas e fixas que não podem ser corrigidas por argumentos lógicos; Jamais deve ser desafiado diretamente;
- É desaconselhável fingir que se acredita no delírio;
- Mostrar que compreende que o paciente acredita na realidade do delírio, mas que ele não mantém a mesma crença;
- Falar a respeito de pessoas e eventos reais, sentar junto dele para conversar sobre o cotidiano, pode aproximá-lo da realidade;
- Não devem ser ridicularizados, nem tratados como mentirosos, pois não têm controle sobre o conteúdo de seu pensamento.

ALUCINAÇÕES - Não adianta tentar convencer o cliente de que vozes que ele está ouvindo ou o que ele está vendo, não existem;
- O aconselhado é colocar para o cliente que acredita que ele esteja ouvindo “vozes”, porém ele não compartilha da percepção
- “Eu sei que as vozes são reais para você, mas eu não as escuto”;

- Alucinações auditivas = questionar o conteúdo das mesmas, em função da possibilidade do paciente estar apresentando alucinações de comando;
- Alucinações visuais de animais (zoopsias) = podem ser um dos sintomas de abstinência alcoólica. Questionar parada de ingestão de álcool frente a este tipo de alucinação é interessante em função dos encaminhamentos que poderão ser adotados.

DESAGREGAÇÃO DO PENSAMENTO
-
Fala confusa de difícil entendimento, frases sem conexão umas com as outras, sem sentido e por vezes utiliza-se de neologismos;
- Não deixar de dar atenção, ouvi-lo com cuidado e tranqüilidade, tentando captar a mensagem central do que está querendo comunicar;
- É preciso ter paciência, sem exigir a coerência que, no momento, ele não está podendo ter. MUITO ATIVO E EUFÓRICO (episódio maníaco)
- O paciente não tem condições de ficar quieto, não podemos exigir isso dele; - Aceitá-lo assim, não exigindo que ele modifique seu comportamento de um momento para outro;
- Proporcionar atividades supervisionadas que permitam que ele extravase sua energia, através de jogos, ginástica, corridas, entre outras; (concluir uma para iniciar outra)
- Por causa da hiperatividade, o cliente tende a se alimentar e dormir pouco;
- Não consegue ficar sentado para a refeição = oferecer alimentos que podem ser ingeridos sem interromper suas atividades;
- Em muitas situações, é preciso impor ao paciente, limites. Porém, se isso for feito de maneira autoritária, é possível que o mesmo reaja mal (em função da irritabilidade freqüentemente presente nesses casos), criando-se uma situação que poderá levar à contenção.
- Se, ao contrário, conversarmos de modo firme, mas cortês, explicando-lhe com coerência as razões desse limite, mostrando respeito e compreensão, é possível que ele atenda;
- Adotar medidas que protejam o paciente contra riscos, em conseqüências das atitudes características do seu próprio quadro clínico.

DEPRESSIVO
- A depressão faz com que o paciente se sinta exausto, sem apoio, sem valor e sem esperança, incapaz de reagir;
- Esse estado só aumenta os pensamentos negativos e pessimistas, piorando a depressão, num círculo vicioso sem fim.
- O paciente deve tentar acreditar que tudo o que ele sente e pensa negativamente é fruto de uma doença do corpo como um todo, e que acima de tudo é tratável sem dificuldades. Que não durará para sempre, apesar de ser essa sua impressão! E que, por mais realistas que suas vivencias sejam, a depressão as aumenta e faz tudo ficar mais difícil e complicado.
Dicas para os pacientes:
- Não decidir nada muito importante;
- Não se impor objetivos grandes, difíceis ou de longo prazo;
- Não se cobrar demais; - Ter paciência para melhorar;
- Procurar ficar com outras pessoas; - Procurar fazer qualquer atividade de lazer;
- Não aceitar os pensamentos depressivos.


CATATÔNICO
- Apesar de incomunicável e aparentemente sem nenhum contato com o mundo externo, está consciente e atento ao que ocorre ao seu redor;
- Ouve o que falamos e percebe nossas reações. É capaz de relatar tudo posteriormente, quando sai do estado de indiferença;
- Importante observar o que é comentado junto ao paciente.
- Devemos conversar com o paciente, mostrando-lhe que estamos ao seu lado e que faremos o que for possível para ajudá-lo, até seu restabelecimento;
- Deve ser evitada a aproximação de pessoas expansivas, que “o atropelem”, exigindo mais do que ele pode dar;

- Nos casos mais graves, este tipo de paciente necessita de muitos cuidados, pois neste momento encontra-se impossibilitado de cuidar de si mesmo.

- É bastante susceptível a desenvolver problemas clínicos graves como desidratação, desnutrição, edema de membros inferiores, infecção pulmonar, entre outros.

- Se não receber cuidados constantes da enfermagem, poderá ficar exposto ao frio, chuva, sol em demasia e sofre acidentes;
- Pode ser necessário fazer tudo pelo paciente: alimentá-lo, hidratá-lo, cuidar de sua higiene.

TENDÊNCIA A ISOLAR-SE

- A resistência ao contato pode ser um recurso utilizado pelo paciente em resposta às alucinações ou idéias delirantes, por sentimentos de medo ou por dificuldades intransponíveis de relacionar-se com o mundo externo;
- A relação interpessoal é vivida pelo paciente como uma ameaça, evitando, muitas vezes, até a aproximação física;
- Pode-se tentar um contato, muito delicadamente, a partir de algo que o interesse
– se conseguirmos fazer alguma observação nesse sentido, ou se a família der alguma informação
– mas sem forçá-lo a responder; ele o fará quando puder;

- É um paciente que necessita de uma atenção especial e não tolera contatos prolongados e profundos;
- A orientação de estabelecer contatos mais freqüentes, porém de curta duração, é interessante;

- É importante que o paciente sinta a disponibilidade do profissional para o atendimento de suas necessidades;
- Às vezes, a aproximação de duas pessoas que vão conversando e procurando entrosar o cliente facilita o contato, pois assim ele se sente menos pressionado a responder;
- Mesmo que ele não diga nada, a conversa vai fluindo e não se cria um clima pesado.

COMPORTAMENTO ANTI-SOCIAL
- Deve-se estar atento para suas manobras;
- Apresentam baixa ou nenhuma autocrítica de suas atitudes e não manifestam sentimentos de culpa em relação ao sofrimento causado nos outros ou pela infração das normas;
- Lidar com esses pacientes é extremamente difícil, uma vez que os mesmos não percebem sua dificuldade, nem, muito menos, desejam se tratar;

- Em função disso, é raro que o paciente tente, sinceramente, alterar sua conduta. Quem procura ajuda é, em geral, um familiar;
- Lidar com esses pacientes é extremamente difícil, uma vez que os mesmos não percebem sua dificuldade, nem, muito menos, desejam se tratar;
- Em função disso, é raro que o paciente tente, sinceramente, alterar sua conduta. Quem procura ajuda é, em geral, um familiar;

- A atitude deve ser firme – com o estabelecimento de limites, reforçando as conseqüências de seu comportamento e da falta de consideração pelos direitos dos outros
– sem mostrar desprezo ou atitudes punitivas;

- Os comportamentos inadequados devem ser discutidos com franqueza, valorizando o que há de positivo nesses pacientes;
- É bastante comum o paciente despertar, no profissional, sentimentos negativos que devem ser trabalhados.

SINTOMAS FÓBICOS
- Em algumas situações, a ansiedade pode não aparecer livremente, sentida e expressa como tal pela pessoa, mas se apresentar apenas diante de um estímulo específico, provocando a atitude de evitar esse estimulo.
- Aqueles que apresentam fobias levam, em princípio, uma vida como outra pessoa qualquer, salvo quando se vêem em proximidade com o objeto fóbico;
- Mas, certas fobias – ex: a espaços abertos – invadem a vida da pessoa, limitando-a;

- É fundamental a postura de respeito em relação à pessoa;
- Da mesma forma que o paciente ansioso, não adianta dizer a pessoas com fobia que logo estará bem, que seu medo é exagerado, “sem motivo real”;
- Isso ela já sabe e, mesmo assim, não consegue controlá-lo;
- Mais negativo ainda seria querer forçá-la a entrar em contato com o estímulo que lhe provoca a fobia, com a intenção de provar que não existe razão para tal. Nesse caso, sua ansiedade só aumentaria;
- Frente às situações fóbicas é interessante orientar a prática de métodos de respiração controlada para reduzir sintomas físicos de medo.

PÂNICO
- Sintomas: palpitações, dor no peito, tontura, sensações de sufocação, estômago embrulhado, sensação de irrealidade, medo de perder o controle, sensação de morte súbita, entre outros;
- Como os sintomas são imprevisíveis e sem motivo aparente, podem provocar no indivíduo medo de ficar sozinho ou de freqüentar lugares públicos;
- Novamente, não é indicado dizer ao paciente que não se preocupe, que não há motivo para estar assim; é por meio de uma presença solidária, acolhendo sua manifestação de ansiedade e ouvindo o que ele tem a dizer, que poderemos ajudá-lo;
- Colocá-lo em um ambiente sem muitos estímulos é indicado;
- Procurar respeitar e tranqüilizar o paciente afirmando que os pensamentos e as sensações assustadoras logo passarão;
- Que se trata de um ataque de pânico, com sintomas de origem emocional e que nada de grave lhe acontecerá. Que procure evitar pensamentos do tipo: “Estou morrendo! É um enfarte!”.
- Solicitar para que se concentre em controlar a ansiedade e não nos sintomas físicos;
- Para isso, é importante orientar que inspire lenta e profundamente. Que segure um pouco o ar nos pulmões e solte-o devagar;
- Respirar muito rapidamente pode aumentar alguns dos sintomas físicos de pânico, como resultado da hiperventilação;
- Técnicas de relaxamento poderão ser utilizadas.

COMPORTAMENTO COMPULSIVO
- Devemos ter em mente que, se o paciente está realizando os rituais é porque, naquele momento, não está conseguindo controlá-los;
- Torna-se importante não ficar fazendo críticas, desaprovando constantemente o se comportamento;
- Deixe, naquele momento, que realize os rituais, encaminhando-o para atendimento especializado.

SINTOMAS FÍSICOS SEM BASE ORGÂNICA
- Desprazer causado pelos problemas e conflitos não resolvidos é transformado, inconscientemente, em sintomas físicos;
- Parecem estar simulando o sintoma para apenas “chamar atenção”;
- Também sofrem rejeições de familiares e amigos, em decorrência das freqüentes queixas;
- É importante que familiares, amigos e profissionais reconheçam que os sintomas físicos do cliente são reais. Não são mentiras ou invenções;
- Mesmo não havendo comprometimento orgânico demonstrável, para a pessoa aquela incapacidade funcional ou aquela doença existe. Ela realmente sente os sintomas;
- Torna-se importante nesse caso, não valorizar os sintomas, mas a pessoa em sofrimento;

- Buscar esclarecimento através de material para leitura, que trate sobre o transtorno, pode auxiliar o pacliente no sentido de compreender o que se passa com ele, pois têm dificuldade em aceitar seu transtorno como sendo psiquiátrico
– um transtorno real, que pode ser tratado!

- As idas freqüentes aos mais diversos especialistas também devem ser discutidas (essas orientações são também pertinentes ao portador de transtorno de pânico);
- Métodos de relaxamento podem ajudar no alívio dos sintomas relacionados à tensão (cefaléia, dor no pescoço ou costas)

SINTOMAS CONVERSIVOS E QUE DRAMATIZA MUITO
- Alguns clientes costumam fazer um drama em torno do menor problema e da mínima frustração. É freqüente exagerar em suas expressões de alegria e de sucesso, nos relatos das suas vivências e descrição de suas qualidades;
- Quando fica mais ansioso ou vivencia alguma dificuldade maior, pode ter crises de “desmaio” que podem se assemelhar a crises convulsivas;
- Sua atitude é normalmente sedutora, principalmente com o sexo oposto; - Às vezes, diante de frustrações, fica tão irritado que perde totalmente o controle emocional, quebrando coisas, gritando muito e até agredindo pessoas;
- Em relação aos seus dramas e exageros é importante ouvi-lo com compreensão e, depois, confrontar seu relato com a realidade objetiva, para que possa estabelecer a diferença entre esta realidade e os sentimentos que vivencia;
- Seria importante trabalhar junto ao paciente, no sentido e auxiliá-lo a lidar de forma mais adequada frente as suas dificuldades;
- Precisa ser controlado nas suas crises de agitação e atitude sedutoras e protegido do ridículo que às vezes se expõe;
- A respeito dos “desmaios” é importante saber que eles são apenas aparentes, uma vez que o cliente não perde a consciência, o que podemos constatar através das seguintes observações:
- Só desmaia na presença de outras pessoas e nunca quando está sozinho; - Escolhe o lugar para cair a fim de não machucar-se; - Suas pálpebras piscam;
- Seus reflexos estão normais;
- Não apresenta relaxamento dos esfíncteres;
- Seus tremores são coordenados;
- Quando passa a “crise” é capaz de relatar o que ocorreu durante a mesma;

- Nestas ocasiões é preciso entender que o cliente não age assim por estar fingindo. Na verdade, o cliente não está bem, encontrou esta maneira de satisfazer suas necessidades de atenção e aliviar sua ansiedade;
- Naquele momento, não está conseguindo agir de forma mais adequada. Isso precisa ser entendido, porém, de forma alguma reforçado;
- A conduta mais adequada seria a de: retirar a “platéia” e ficar a sós com o paciente;
- Abordá-lo com compreensão, mas também com firmeza, mostrando-lhe que sabemos estar nos ouvindo e que só poderemos ajudá-lo se conversar conosco sobre aquilo que o está afligindo;
- Dar-lhe o tempo que necessita para recuperar-se para após, conversar tranqüilamente sobre o que lhe aflige;
- Mostrar-lhe que existem formas mais adequadas de buscar atenção e alívio para suas ansiedades.

- Um equívoco comum consiste em pensar que uma classificação de transtornos mentais classifica pessoas, quando na verdade o que se classifica são os transtornos que as pessoas apresentam, os quais são geridos pela sociedade. Por esse motivo, o DSM IV evita o uso de expressões tais como: “um esquizofrênico” ou “um alcoólico”, em vez disso, utilizando expressões mais precisas, ainda que claramente mais incômodas, tais como, “um indivíduo com Esquizofrenia” ou “um indivíduo com Dependência de Álcool”.

- Para se desenvolver um Transtorno mental é necessário no mínimo 2 fatores: Disposição pessoal original e agentes ocasionais.

- E para ajudá-lo, muito amor e paciência.



2 comentários:

Leticia disse...

Olá Neide..
vou dar aulas em saude mental, para técnicos de enfermagem, se vc não se importa, usarei um pouco dos seus textos...claro que identificarei as fontes...bjoss

Neide Costa disse...

Fico feliz em saber que o conteúdo do meu blog, está sendo usado na Faculdade. Sucesso

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