14/01/2009

ALMA = CONCEITOS DIFERENTES

As conotações que o termo "alma" geralmente transmite à mente da maioria das pessoas provêm primariamente, não do uso dos escritores bíblicos, mas da antiga filosofia grega. Os antigos escritores gregos aplicavam psy.khé de vários modos, e não eram coerentes, suas filosofias pessoais e religiosas influenciando seu uso do termo. Segundo os léxicos grego-inglês, fornecem definições tais como "o Eu consciente" ou "ser vivente (humano ou animal)". Até mesmo em obras gregas não-bíblicas, o termo era usado para animais. O termo hebraico para alma é né.fesh. Num sentido literal, exprime a idéia de um "ser que respira" e cuja vida é sustentada pelo sangue.

Os termos das línguas originais (hebraico: né·fesh; grego: psy·khé), segundo usados nas Escrituras, mostram que a “alma” é a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui. Né·fesh evidentemente provém duma raiz que significa ‘respirar’ em um sentido literal, né·fesh poderia ser traduzido como alguém que respira a substancia respiradora que torna o homem e o animal seres viventes Gn 1.20 a alma estritamente distinta da noção grega de alma, cuja sede é o sangue. Deuteronômio 12.23 . Alma = ser vivente, indivíduo, pessoa.

As conotações que a palavra portuguesa “alma” geralmente transmite à mente da maioria das pessoas não estão de acordo com o significado das palavras hebraica e grega usadas pelos inspirados escritores bíblicos.

A Bíblia não diz que temos uma alma. ‘“Ne.fesh’ é a própria pessoa, sua necessidade de alimento, o próprio sangue nas suas veias, seu ser.” — The New York Times, 12 de outubro de 1962.

Qual é a origem do ensino de que a alma humana é invisível e imortal?

A dificuldade reside em que os significados popularmente atribuídos à palavra portuguesa “alma” provêm primariamente, não das Escrituras Hebraicas ou das Gregas Cristãs, mas da antiga filosofia grega, na realidade, do pensamento religioso pagão. Platão, o filósofo grego, por exemplo, cita Sócrates como dizendo: “A alma. . . se ela partir pura, não arrastando consigo nada do corpo, . . . parte para o que é como ela mesma, para o invisível, divino, imortal e sábio, e quando chega ali, ela é feliz, liberta do erro, e da tolice, e do medo . . . e de todos os outros males humanos, e . . . vive em verdade por todo o porvir com os deuses.” — Phaedo (Fédon), 80, D, E; 81, A.

Em contraste direto com o ensino grego sobre a psy·khé (alma) como imaterial, intangível, invisível e imortal, as Escrituras mostram que tanto psy·khé como né·fesh, conforme usadas com referência a criaturas terrestres, referem-se àquilo que é material, tangível, visível e mortal.

A New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) diz: “Nepes [né·fesh] é um termo de muito maior extensão do que nossa ‘alma’, significando vida (Êx 21.23; Dt 19.21) e suas várias manifestações vitais: respiração (Gn 35.18; Jó 41.13[21] ), sangue [Gn 9.4; Dt 12.23; Sl 140(141).8 ], desejo (2 Sm 3.21; Pr 23.2). A alma no A[ntigo] T[estamento] significa, não uma parte do homem, mas o homem inteiro — o homem como ser vivente. Similarmente, no N[ovo] T[estamento] significa vida humana: a vida duma entidade individual, consciente (Mt 2.20; 6.25; Lu 12.22-23; 14.26; Jo 10.11, 15, 17; 13.37).” — 1967, Vol. XIII, p. 467.

A tradução católica romana, The New American Bible (A Nova Bíblia Americana), em seu “Glossário de Termos de Teologia Bíblica” (pp. 27, 28), diz: “No Novo Testamento, ‘salvar a alma’ (Mr 8:35) não significa salvar alguma parte ‘espiritual’ do homem, em contraste com o seu ‘corpo’ (no sentido platônico), mas a inteira pessoa, com ênfase no fato de que a pessoa está viva, desejando, amando e querendo, etc., em adição a ser concreta e física.” — Edição publicada por P. J. Kenedy & Sons, Nova Iorque, 1970.

Né·fesh evidentemente provém duma raiz que significa “respirar”, e, num sentido literal, né·fesh poderia ser traduzido como “alguém que respira”. O Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento; Leiden, 1958, p. 627), de Koehler e Baumgartner, a define como segue: “a substância respiradora, que torna o homem e o animal seres viventes Gn 1,20 , a alma (estritamente distinta da noção grega da alma), cuja sede é o sangue Gn 9,4ss Lv 17,11 Dt 12,23 : (249 X) . . . alma = ser vivente, indivíduo, pessoa.”

Quanto à palavra grega psy·khé, os léxicos grego-inglês fornecem definições tais como “vida” e “o eu consciente ou personalidade como centro de emoções, desejos e afeições”, “um ser vivente”, e mostram que até mesmo em obras gregas não-bíblicas o termo era usado “para animais”. Naturalmente, essas fontes, que lidam primariamente com os escritos gregos clássicos, incluem todos os significados que os filósofos gregos, pagãos, davam à palavra, inclusive o de “espírito que partiu”, “a alma imaterial e imortal”, “o espírito do universo” e “o princípio imaterial do movimento e da vida”. Evidentemente, porque alguns dos filósofos pagãos ensinavam que a alma emergia do corpo na morte, o termo psy·khé também era aplicado à “borboleta ou mariposa”, criaturas estas que passam por uma metamorfose, transformando-se de lagarta em criatura alada. — Greek-English Lexicon (Léxico Grego-Inglês) de Liddell e Scott, revisado por H. Jones, 1968, pp. 2026, 2027; New Greek and English Lexicon (Novo Léxico Grego e Inglês) de Donnegan, 1836, p. 1404.

Os antigos escritores gregos aplicavam psy·khé de vários modos, e não eram coerentes, suas filosofias pessoais e religiosas influenciando seu uso do termo. Sobre Platão, a cuja filosofia pode ser atribuída às idéias comuns sobre a palavra portuguesa “alma” (como geralmente se reconhece), declara-se: “Ao passo que às vezes ele fala de uma das [supostas] três partes da alma, a ‘inteligível’, como necessariamente imortal, ao passo que as outras duas partes são mortais, ele também fala como se houvesse duas almas em um só corpo, uma imortal e divina, e a outra mortal.” — The Evangelical Quarterly (Publicação Trimestral Evangélica), Londres, 1931, Vol. III, p. 121: “Idéias Sobre a Teoria Tripartida da Natureza Humana”, de A. McCaig.

Em vista de tal incoerência dos escritos não-bíblicos, é essencial deixar que as Escrituras falem por si, mostrando o que os escritores inspirados queriam dizer ao usarem o termo psy·khé, bem como né·fesh.

Né·fesh ocorre 754 vezes no texto massorético das Escrituras Hebraicas, ao passo que psy·khé aparece sozinha 102 vezes no texto de Westcott e Hort das Escrituras Gregas Cristãs, perfazendo um total de 856 ocorrências. Esta freqüência de ocorrências torna possível um conceito claro do sentido que tais termos transmitiam à mente dos inspirados escritores bíblicos e o sentido que seus escritos devem transmitir à nossa mente. Um exame mostra que, embora o sentido destes termos seja amplo, com diferentes matizes de significado, entre os escritores bíblicos não havia nenhuma incoerência, confusão ou desarmonia quanto à natureza do homem, tal como a existente entre os filósofos gregos do chamado Período Clássico.

Segundo o conceito católico, a alma é criada por Deus e implantada no corpo por ocasião da concepção. Esta doutrina, é um dos fundamentos da filosofia e teologia cristãs. Mas, a aceitação de filosofias gregas significava que abandonava o conceito expresso em Génesis 2:7 de que "o homem veio a ser [e não ter] uma alma vivente." Segundo a Enciclopédia Judaica, "a crença na imortalidade da alma chegou aos judeus através do contacto com o pensamento grego e principalmente através da filosofia de Platão (427-347 a.C.), seu principal expoente". Apartir de meados do 2.° Século d.C., os primitivos filósofos cristãos adotaram o conceito grego da imortalidade da alma.

Na doutrina espiritualista, o ser humano é um espírito preso temporariamente num corpo material. A este estado temporário, é denominado de alma.

Na Teosofia, a alma é associada ao 5º princípio do Homem, Manas, a Alma Humana ou Mente Divina. Manas é o elo entre o espírito (a díade Atman-Budhi) e a matéria (os princípios inferiores do Homem).

Assim, a constituição sétupla do Homem, aceita na Teosofia, adapta-se facilmente a um sistema com três elementos: Espírito, alma e corpo. Sendo a alma o elo entre o Espírito e o corpo.

 

Ciência moderna

 

De uma forma geral, a ciência moderna estuda o homem sem fazer referências a uma alma imaterial, uma vez que, se existe, não pode ser observada nem medida. Apesar disso, alguns cientistas têm tentado encontrar evidências da existência e da natureza da alma humana. Muitas das pesquisas científicas nesse assunto vão em direção das experiências de quase-morte, porém até o momento não existem provas conclusivas de que realmente os pacientes saíram do próprio corpo ou se sofreram de alucinações. Há também alguns cientistas como Ian Stevenson e Brian Weiss que conduziram estudos de caso sobre crianças narrando experiências anteriores ao nascimento, e que poderiam sugerir uma possibilidade de reencarnação (portanto, existência da alma), embora não tenham demonstrado o processo pelo qual isto poderia ocorrer.

 

História evolutiva do conceito

 

Chegou a uma altura na história da humanidade em que o Homem começou verdadeiramente a assumir a existência de uma alma.

A Alma sempre foi motivo de controvérsia entre as diferentes denominações religiosas e crenças, mesmo porque nunca foi totalmente compreendida, explicada ou observada. Antes que o homem concluísse que a possibilidade de uma alma em evolução em conjunto com a mente de um indivíduo e com a paternidade de um espírito divino, julgou-se que ela residia em diferentes órgãos físicos – nos olhos, no fígado, nos rins, no coração e, posteriormente, no cérebro. Os selvagens associavam a alma ao sangue, à respiração, às sombras e aos reflexos do seu eu na água.

Mais tarde os hindus conceberam o atman. Os mestres hindus realmente aproximaram-se duma avaliação da natureza e da presença de um espírito, mas houve uma falha provável quando não distinguiram a co-presença da alma em evolução, potencialmente imortal.

Os chineses, contudo, reconheceram dois aspectos num ser humano, o yang e o yin, a alma e o espírito.

Os egípcios e muitas tribos africanas também acreditavam em dois factores, o ka e o ba; e não acreditavam geralmente que a alma fosse preexistente, apenas o espírito. Os antigos habitantes das terras que circundavam o vale do Nilo acreditavam que todo indivíduo favorecido tinha recebido à nascença, ou pouco depois, um espírito protetor a que chamavam ka. Eles ensinavam que esse espírito guardião permanecia com o sujeito mortal ao longo da vida e que passava, antes dele, para o estado futuro. Nas paredes de um templo em Luxor, onde está ilustrado o nascimento de Amenhotep III, o pequeno príncipe está retratado nos braços do deus do Nilo e, próximo a ele, está uma outra criança, idêntica ao príncipe na aparência, que é o símbolo daquela entidade a que os egípcios chamavam ka. Essa escultura foi terminada no décimo quinto século antes de Cristo. Julgava-se que o ka era um génio de espírito superior, que desejava guiar o mortal ligado a ele em caminhos melhores na vida temporal; porém, mais especialmente, ele desejava influenciar a sorte do sujeito humano na próxima vida. Quando um egípcio desse período morria, era esperado que o seu ka estivesse aguardando por ele do outro lado do Grande Rio. A princípio, supunha-se que apenas os reis tivessem kas, mas afinal, acreditou-se que todos os homens rectos possuíam-nos.

Toda esta rica ideologia cresceu, fomentando as raízes que derivaram posteriormente nos conceitos atuais da alma, base de muitas religiões cujos seguidores acreditam possuir almas, ou serem acompanhados por elas e mesmo até serem eles próprios as almas.

12/01/2009

O QUE OS BEBÊS PRECISAM


O BEBÊ já nasce num mundo frio e hostil, cheio de tensão. Embora não consiga expressar verbalmente seus sentimentos, alguns cientistas acreditam que, mesmo antes do nascimento, o feto está consciente do que se passa à sua volta.

O livro The Secret Life of the Unborn Child (A Vida Secreta da Criança por Nascer) comenta: “Sabemos agora que o feto é um ser humano consciente e reagente, cuja vida emocional ativa começa a partir do sexto mês (talvez até antes).” É bem provável que o bebê não se lembre, mas alguns cientistas acreditam que a estressante experiência do nascimento afeta sua vida futura.

Depois do nascimento, a tensão continua. Fora do útero da mãe, o bebê não é mais alimentado automaticamente. O “tubo” que transportava oxigênio e nutrientes não existe mais. Para sobreviver, o próprio bebê tem de começar a respirar e a ingerir nutrientes. Além disso, precisa de alguém que o alimente e cuide de outras necessidades físicas.

O recém-nascido precisa também se desenvolver mental, emocional e espiritualmente. Portanto, alguém precisa cuidar desse pequeno ser. Quem é que tem as melhores condições de fazer isso? Do que o bebê mais precisa? Como essas necessidades podem ser satisfeitas da melhor maneira? Os artigos seguintes responderão a essas perguntas.

DESDE o nascimento, o recém-nascido precisa de cuidados amorosos, o que inclui afagos e o contato pele com pele. Alguns médicos acreditam que as primeiras 12 horas de vida são fundamentais. Comentam que, logo após o parto, o que a mãe e o bebê mais precisam e querem “não é dormir nem comer, mas receber carinho e abraços, e se olhar e escutar um ao outro”.

Instintivamente, os pais seguram o bebê no colo, abraçam, afagam e acalentam-no. O bebê, por sua vez, sente-se confiante e achegado a seus pais, e reage à atenção recebida. O poder desse vínculo é tão forte que os pais farão quaisquer sacrifícios para cuidar do bebê ininterruptamente, se for preciso.

Por outro lado, sem o amoroso vínculo com os pais, o bebê pode literalmente definhar e morrer. Portanto, alguns médicos acham importante que, após o parto, o recém-nascido seja entregue imediatamente à mãe e fique com ela de 30 a 60 minutos, pelo menos.

Apesar de ser considerado extremamente necessário logo após o parto, alguns hospitais não facilitam o vínculo afetivo imediato entre mãe e bebê, tornando-o às vezes difícil ou quase impossível. É comum acontecer de bebês serem separados da mãe por causa do perigo de contaminação com infecções. Há indícios, porém, de que a taxa de infecções letais pode na verdade cair quando o bebê fica com a mãe. É por isso que cada vez mais hospitais estão se convencendo da necessidade de haver contato prolongado entre mãe e bebê, logo após o parto.

Preocupações com o vínculo afetivo

Algumas mães não se sentem emocionalmente apegadas ao bebê logo na primeira vez que o vêem. Por isso, elas talvez se perguntem se terão problemas em criar o vínculo afetivo. Há realmente casos de mães que não sentiram amor à primeira vista por seus filhos. Mas não há razão para se preocupar.

Mesmo quando a afeição maternal chega um pouco depois, ainda assim é possível desenvolvê-la plenamente mais tarde. “Não acontece nada durante o parto que determine se você vai ser bem-sucedida ou vai fracassar no relacionamento com seu filho”, observa uma mãe experiente. Mesmo assim, se você estiver grávida e está apreensiva, seria recomendável conversar antecipadamente com seu obstetra. Seja objetiva ao falar sobre quando e quanto tempo quer ficar com seu bebê no processo do vínculo afetivo, após o parto.

“Conversa comigo!”

Parece haver certos períodos em que bebês e crianças pequenas estão especialmente receptivos a estímulos específicos. Depois de algum tempo, esses períodos se encerram. Por exemplo, o cérebro infantil domina um idioma com facilidade, até mais que um, mas parece que o período mais propício para o aprendizado de idiomas é até os cinco anos de idade.

A partir da puberdade — que pode variar dos 12 a 14 anos —, aprender um idioma pode ser uma tarefa muito desafiadora. Segundo o neurologista pediátrico Peter Huttenlocher, isso acontece porque a partir dessa faixa etária “diminui a densidade e o número de sinapses nas áreas lingüísticas do cérebro”. Fica claro, então, que os primeiros anos de vida são fundamentais para se adquirir habilidades lingüísticas!

Como as crianças pequenas conseguem a façanha de aprender a falar, tão importante para seu desenvolvimento cognitivo? Em primeiro lugar, quando interagem verbalmente com os pais. As crianças reagem em especial a estímulos provenientes de humanos. “O bebê . . . imita a voz da mãe”, observa Barry Arons, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA. É interessante que os bebês, no entanto, não imitam todos os sons. Segundo Arons, o bebê “não assimila o rangido do berço, que ocorreu simultaneamente com a fala da mãe”.

Pais com diferentes formações culturais falam com seus bebês usando o mesmo estilo melodioso, que alguns chamam de “mamanhês”. Quando os pais falam de maneira amorosa, a freqüência cardíaca da criança aumenta. Acredita-se que isso contribua para acelerar a correlação entre as palavras e os objetos que representam. Sem dizer uma palavra, o bebê está transmitindo o seguinte: “Conversa comigo!”

“Olha para mim!”

Já ficou comprovado que no primeiro ano o bebê apega-se emocionalmente ao adulto que cuida dele, geralmente a mãe. Na verdade, o bebê, cujo vínculo afetivo está bem estabelecido, se relaciona melhor com outros do que os bebês que ainda não se sentem seguros em seu vínculo afetivo com os pais. Acredita-se que esse vínculo com a mãe tem de estar estabelecido quando a criança atinge três anos de idade.

O que pode acontecer caso um bebê seja ignorado no período em que o cérebro está mais receptivo a influências externas? Martha Farrell Erickson, que acompanhou o caso de 267 mães e seus filhos por mais de 20 anos, deu sua opinião a respeito disso: “A negligência vagarosa e persistente corrói o entusiasmo e a energia da criança a ponto de deixá-la com pouquíssima vontade de interagir com outros ou de explorar o mundo.”

Para ilustrar seu conceito sobre as sérias conseqüências da negligência emocional, o Dr. Bruce Perry, do Hospital Infantil do Texas, comenta: “Se você me pedisse para pegar um bebê de seis meses e escolher entre quebrar todos os seus ossos e ignorá-lo emocionalmente durante dois meses, diria que o bebê estaria em melhores condições se todos os seus ossos fossem quebrados.” Por quê? Na opinião do Dr. Perry, “os ossos podem colar outra vez, mas se uma criança não tiver o adequado estímulo mental por dois meses, isso causará desorganização cerebral permanente”. Nem todos concordam que essa lesão é irreparável. Mesmo assim, estudos científicos indicam que ambientes onde o estímulo emocional é favorecido contribuem muito para o desenvolvimento cerebral da criança.

“Em suma”, diz o livro Infants (Bebês), “[eles] estão preparados para amar e ser amados”. Quando uma criancinha chora, na verdade está quase sempre implorando a seus pais: “Olha para mim!” É importante que os pais a atendam de maneira carinhosa. Por meio dessa interatividade, o bebê torna-se consciente de que é capaz de transmitir suas necessidades a outros. Ele está aprendendo a se relacionar com outras pessoas.


‘Será que não vou mimá-lo desse jeito?’

“E se eu atendê-lo toda vez que ele chorar, não vou mimá-lo desse jeito?”, você pode se perguntar. Talvez. As opiniões são muito divergentes nesse sentido. Visto que cada criança tem características únicas, os pais geralmente têm de descobrir que tática funciona melhor. No entanto, algumas pesquisas recentes indicam que, quando o recém-nascido está com fome, sente-se incomodado ou está agitado, o sistema nervoso simpático libera hormônios do estresse. Daí, ele externa sua aflição por meio do choro. Comenta-se que, quando o pai ou a mãe o atende e supre suas necessidades, o adulto dá início à formação de redes de células no cérebro do bebê que o ajudam a aprender a se acalmar. Além disso, segundo a Dra. Megan Gunnar, o bebê que foi atendido de maneira cuidadosa produz menos cortisol — hormônio de estresse. E mesmo quando fica aflito, ele interrompe mais cedo a reação de estresse.

“De fato”, comenta Erickson, “os bebês que foram atendidos mais rápida e consistentemente, em especial durante os primeiros 6 a 8 meses, na verdade choram menos que os bebês que foram deixados sem atendimento”. É importante também diversificar a maneira de atender o bebê. Se você o fizer sempre da mesma forma, talvez amamentando-o ou pegando no colo, ele pode ficar realmente mimado. Às vezes ele pára de chorar só de escutar a sua voz. Ou então, aproximar-se dele e falar algo em voz baixa perto do ouvido pode ser suficiente. Ainda outra opção é tocá-lo nas costas ou na barriga.

“O dever do bebê é chorar.” Assim diz um ditado no Oriente. Para o bebê, chorar é a melhor maneira de expressar o que ele quer. Como você se sentiria caso fosse ignorado toda vez que solicitasse alguma coisa? Então, como deve se sentir seu bebê, que fica indefeso sem um cuidador, se for desprezado toda vez que implora sua atenção? Quem, no entanto, deve atender a esse apelo?

Quem é que cuida do bebê?

Há algum tempo, um censo realizado nos Estados Unidos revelou que 54% das crianças até 8 ou 9 anos recebem algum tipo de cuidado constante de outras pessoas que não são seus pais. Em muitos casos, tanto o pai como a mãe têm de trabalhar para conseguir pagar as despesas mensais do lar. Muitas mães tiram a licença-maternidade, quando possível, a fim de cuidar do recém-nascido por algumas semanas ou meses. Mas quem vai cuidar do bebê depois disso?

É claro que não há regras rigorosas que orientam essas decisões. Mas é bom lembrar que a criança ainda está vulnerável durante esse período crucial da vida. Tanto o pai como a mãe devem analisar esse assunto seriamente. Na hora de decidir o que fazer, eles precisam analisar com cuidado todas as opções.

“Está ficando cada vez mais claro que deixar até mesmo o melhor dos centros educacionais infantis cuidar dos filhos não substitui o tempo que eles precisam passar com a mãe e com o pai”, comenta o Dr. Joseph Zanga, da Academia Americana de Pediatria. Alguns especialistas se mostram preocupados com o fato de que bebês deixados em creches acabam não recebendo atenção do cuidador na medida necessária.

Algumas mães que trabalhavam fora, conscientes das necessidades fundamentais da criança, decidiram ficar em casa em vez de deixar que outras pessoas cuidassem das necessidades emocionais dos filhos. Certa mulher afirmou: “Fui agraciada com uma alegria que honestamente acredito não ser possível achar em nenhum emprego.” Naturalmente, a situação econômica nem sempre permite que as mães tomem decisões como essa. Muitos pais não têm outra escolha a não ser apelar para as instituições de cuidados infantis, enquanto fazem o máximo para suprir os filhos, quando estão juntos, da atenção e do carinho necessários. Ao mesmo tempo, há vários casos em que o pai ou a mãe sem cônjuge, com poucas opções nesse aspecto, fazem um esforço considerável na criação dos filhos e com excelentes resultados.

Ser pai ou mãe pode ser uma tarefa que dá muita alegria e é cheia de emoções. Ainda assim, é desafiadora e exige muito dos pais.

Como ser bem sucedido nesta tarefa?

07/01/2009

NEGLIGENCIADOS, MALTRATADOS, E IDOSOS


AO FAZER a ronda, o vigia noturno não estava preparado para a cena horripilante que o aguardava. Logo ali, do lado de fora de um conjunto residencial de luxo, ele se deparou com dois corpos sem vida: um casal de idosos que tinha pulado da janela do seu apartamento no oitavo andar. Por mais chocante que tenha sido esse suicídio, o motivo de terem feito isso era ainda mais chocante. Um bilhete encontrado no bolso do marido dizia: “Estamos pondo fim às nossas vidas por causa dos constantes abusos e maus-tratos que sofremos às mãos de nosso filho e de nossa nora.”

Os detalhes desse episódio podem ser incomuns, mas a questão por trás dele é tão comum que se tornou motivo de preocupação. De fato, maltratar idosos é um problema que contaminou praticamente o mundo inteiro. Considere o seguinte:

§ Em certo estudo, 4% dos idosos canadenses relataram ter sido maltratados ou explorados — geralmente por um membro da família. No entanto, muitos idosos sentem-se envergonhados ou temerosos demais para falar sobre essa situação lastimável. O número real pode chegar perto dos 10%, dizem os pesquisadores.

§ “A Índia, por trás de uma fachada de fortes vínculos familiares, está se desmoronando sob um número crescente de idosos rejeitados pelos filhos”, relata a revista India Today.

§ De acordo com as melhores estimativas disponíveis, “de um milhão a dois milhões de americanos com 65 anos ou mais foram feridos, explorados ou, de outra forma, maltratados por alguém de quem dependiam para receber cuidado e proteção”, diz o Centro Nacional contra o Abuso de Idosos. Um promotor público adjunto em San Diego, Califórnia, declara que o abuso de idosos é “uma das questões mais sérias com que se confrontam os órgãos de repressão ao crime hoje em dia”. Ele diz ainda: “Vejo o problema aumentando nos próximos anos.”

§ Em Canterbury, Nova Zelândia, aumenta a preocupação de que os idosos estejam sendo explorados pelos familiares — principalmente pelos parentes que têm problemas com drogas, álcool e jogatina. Em Canterbury, o número registrado de maus-tratos aos idosos aumentou drasticamente de 65, em 2002, para 107, em 2003. O diretor-executivo de uma agência especializada em impedir tais abusos diz que esse número talvez represente apenas a “ponta do iceberg”.

§ A Ordem dos Advogados do Japão advertiu que “os idosos vítimas de maus-tratos precisam receber ainda mais atenção do que as crianças vítimas de abuso ou do que as vítimas de outro tipo de violência doméstica”, noticia o jornal The Japan Times. Por quê? Um dos motivos, diz o Times, é que, “em comparação com o abuso de crianças e de mulheres, os abusos contra idosos tendem a demorar mais a vir à tona, em parte porque os idosos acham que a culpa é deles quando a violência é infligida pelos filhos, e também porque os governos e as autoridades locais, até o momento, não conseguiram lidar com esse problema”.

Essa pequena amostra do que está acontecendo no mundo todo nos faz perguntar: Por que tantos idosos são desprezados e maltratados? Existe alguma esperança de que as coisas vão melhorar? Que consolo há para os idosos?

Deus se preocupa com os idosos

NÃO é de surpreender que o problema dos maus-tratos aos idosos tenha se espalhado tanto hoje em dia. A Bíblia predisse há muito tempo que, durante “os últimos dias” deste sistema ímpio, as pessoas seriam ‘amantes de si mesmas, . . . sem afeição natural’. (2 Timóteo 3:1-3) A palavra grega traduzida “afeição natural” pode incluir o amor que normalmente existe no círculo familiar. Assim como a Bíblia predisse, esse tipo de afeição está visivelmente em falta hoje em dia.

Em nítido contraste com as pessoas que maltratam os idosos, Jeová Deus preza muito os que estão com idade avançada e se preocupa com eles. Veja como a Bíblia mostra isso.

Não é de surpreender que o respeito pelas pessoas de mais idade fosse parte fundamental da Lei que Jeová deu a Israel. Os israelitas receberam a seguinte ordem: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso, e tens de ter temor de teu Deus. Eu sou Jeová.” (Levítico 19:32) Assim, no antigo Israel, o respeito que a pessoa demonstrava pelos idosos afetava sua própria relação com Jeová Deus. Uma pessoa que maltratasse os idosos não podia dizer que amava a Deus.

Por isso, não basta simplesmente deixarmos de maltratar os idosos. Devemos também mostrar interesse ativo neles, fazendo coisas para seu benefício.

A Bíblia mostra que os problemas da idade avançada não era o que Deus tinha em mente para a humanidade. Foi só depois que nossos primeiros pais, o primeiro homem e a primeira mulher, se rebelaram contra seu Criador que os efeitos debilitantes do envelhecimento se tornaram parte da vida dos humanos. (Gênesis 3:17-19; Romanos 5:12) Isso não continuará para sempre.

05/01/2009

É ERRADO TOMAR UMA BEBEDEIRA?



BEBEDEIRA. Alguns a definem simplesmente como beber até se embriagar. Um relatório do Instituto Nacional de Combate ao Abuso do Álcool e ao Alcoolismo (dos EUA) procurou ser mais específico. Dizia que bebedeira (binge drinking, em inglês) é “definida tipicamente como consumo de cinco ou mais drinques seguidos, no caso dos homens, e de quatro ou mais drinques seguidos, no caso das mulheres”.

Os profissionais de saúde nos Estados Unidos consideram a bebedeira “um dos maiores problemas da saúde pública”. Segundo um estudo realizado com alunos do ensino médio na Escócia, na Inglaterra e no País de Gales, “mais de 25% dos jovens de 13 e 14 anos afirmaram ter bebido pelo menos cinco drinques em uma única ocasião”. Cerca de 50% dos entrevistados com 15 e 16 anos disseram já ter feito o mesmo.

Numa pesquisa realizada nos EUA, 2 em cada 5 universitários haviam se envolvido numa bebedeira pelo menos uma vez nas duas semanas que antecederam a entrevista. De acordo com o Departamento de Saúde dos EUA, “cerca de 10,4 milhões de adolescentes de 12 a 20 anos disseram que tomavam bebidas alcoólicas. Desses, 5,1 milhões eram bebedores ocasionais e 2,3 milhões eram inveterados que participavam dessas bebedeiras pelo menos cinco vezes por mês”. Um estudo feito na Austrália revelou que, naquele país, mais moças do que rapazes se envolvem em bebedeiras — consumindo entre 13 e 30 drinques numa única saída!

Muitas dessas bebedeiras ocorrem com o incentivo de outros jovens. A pesquisadora Carol Falkowski declara: “Novos e ousados jogos de embriaguez têm recebido destaque — atividades em grupo com o objetivo de beber até se embriagar. Tomar uma dose de bebida destilada num determinado momento de um programa de TV ou de uma conversa em grupo faz parte desses jogos.”

Os perigos de beber demais

Embora a bebedeira seja considerada um jogo para alguns, é um jogo muitoperigoso! O excesso de álcool diminui a quantidade de oxigênio que chega ao cérebro, podendo interromper funções orgânicas vitais. Os sintomas incluem vômito, inconsciência e respiração lenta e irregular. Em alguns casos, resulta em morte. Cerca de um mês depois de concluir o ensino médio, Kim, uma jovem de 17 anos, foi a uma festa do tipo “beba-quanto-puder”. Ela consumiu 17 drinques antes de desmaiar. Sua irmã mais velha chegou e levou-a para casa. Na manhã seguinte, a mãe de Kim encontrou-a morta.

Beber demais raramente causa a morte imediata, mas ainda assim é uma ameaça à saúde. “O álcool pode prejudicar qualquer órgão em seu corpo”, diz o especialista em saúde mental Jerome Levin. “Os alvos principais do álcool são o sistema nervoso, o fígado e o coração.” Um artigo na revista Discover diz: “Uma nova pesquisa sugere que os alcoólatras jovens estão brincando com o perigo. Visto que o cérebro continua a se desenvolver até depois dos 20 anos, jovens que bebem demais podem perder quantidades significativas da capacidade mental.” O consumo crônico de álcool também está associado com o aumento de acne, rugas prematuras, ganho de peso, danos aos órgãos internos, dependência de álcool e vício de drogas.

Há outros perigos associados com o excesso de bebidas alcoólicas. Se você se embriagar, talvez fique vulnerável a maus-tratos. Pode ser vítima de um ataque físico ou até mesmo de estupro. Ao mesmo tempo, você pode se tornar uma ameaça para os outros, comportando-se de maneira descontrolada. Pode fazer coisas que nunca lhe passariam pela cabeça se estivesse sóbrio. Por isso a Bíblia adverte que, se beber demais, ‘os olhos verão coisas estranhas e o coração falará coisas perversas’. (Provérbios 23:33) As conseqüências ruins incluem amizades desfeitas, baixo rendimento na escola e no trabalho, ficha criminal, além de pobreza.# Provérbios 23:21.

Estatísticas trágicas das bebedeiras

As seguintes estatísticas revelam as tristes conseqüências das bebedeiras entre universitários nos Estados Unidos:

Morte: A cada ano 1.400 universitários entre 18 e 24 anos morrem vítimas de ferimentos desintencionais, incluindo acidentes de carro, devido ao abuso do álcool.

Ferimentos: 500 mil estudantes de 18 a 24 anos acabam se ferindo quando estão sob o efeito do álcool.

Agressão: Mais de 600 mil estudantes entre 18 e 24 anos são agredidos por outros estudantes que estavam bebendo.

Abuso sexual: Mais de 70 mil estudantes entre 18 e 24 anos são vítimas de abuso sexual ou estupro por parte de agressores que estão sob o efeito do álcool.

Source: The U.S. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism

A pressão para beber

Apesar dos perigos, o álcool recebe muita publicidade e está facilmente disponível em muitos países. Prova disso é a propaganda na TV e nas revistas que tornam as bebidas alcoólicas atraentes. Muitas vezes, porém, os jovens cedem às bebedeiras devido à pressão dos colegas.

Em uma pesquisa de conscientização do consumo de álcool, realizada na Austrália, 36% dos jovens entrevistados disseram que bebiam principalmente para “se enturmar com os colegas”. Na atmosfera caótica de uma festa regada a bebidas alcoólicas, uma pessoa de natureza tímida pode tornar-se o centro das atenções por aceitar o incentivo dos amigos para tomar vários drinques seguidos. A jovem Katie, depois de fazer isso, foi levada para casa em estado de coma. Seu “amigo” havia lhe dado álcool, dizendo: “Vamos, Katie, você já é bem crescida. Está na hora de aprender a beber.”

O desejo de passar momentos agradáveis e se enturmar é tão forte que apesar das evidências convincentes de que as bebedeiras são perigosas, elas continuam populares.

Qual será a sua decisão?

Surgem as perguntas: Qual será a sua decisão sobre beber? Simplesmente acompanhará seus colegas? Lembre-se do que a Bíblia diz em Romanos 6:16: “Não sabeis que, se persistirdes em vos apresentar a alguém como escravos, para lhe obedecer, sois escravos dele, porque lhe obedeceis?” Se permitir que os colegas controlem sua vida, você será apenas mais um escravo deles. A Bíblia exorta-o a pensar por si mesmo. (Provérbios 1:4) Ela dá conselhos que podem ajudá-lo a evitar cometer erros sérios. Considere o que ela diz sobre as bebidas alcoólicas.

Na verdade, a Bíblia não condena as bebidas alcoólicas, nem é contra os jovens se divertirem. Mas adverte contra o abuso do álcool. “O vinho é zombador, a bebida inebriante é turbulenta, e quem se perde por ele não é sábio”, diz Provérbios 20:1. Sim, a bebida alcoólica pode fazer alguém agir de maneira ridícula e perturbadora. É verdade que momentaneamente ela pode dar prazer, mas se você beber demais, ela “morde igual a uma serpente”, deixando-o com inúmeros danos físicos e emocionais. — Provérbios 23:32.

Algo mais a considerar é que em muitos países há uma idade mínima para se tomar bebidas alcoólicas. Finalmente, e o mais importante, leve em consideração o dano espiritual que o excesso de bebidas alcoólicas pode causar. Jeová Deus quer que você o sirva ‘de toda a mente’ — não uma mente danificada de maneira desnecessária pelo abuso do álcool! (Mateus 22:37) A Palavra de Deus condena não apenas “excessos com vinho” mas também “competições no beber”. (1 Pedro 4:3) Envolver-se em bebedeiras, portanto, é contrário à vontade do Criador. Tais excessos podem impedir a pessoa de ter uma relação achegada com Deus.

O que você deve fazer se tiver o costume de participar de bebedeiras? Peça ajuda imediatamente por conversar com seus pais ou com um cristão maduro.% Ore a Jeová e implore sua ajuda. Afinal, ele é “uma ajuda encontrada prontamente durante aflições”. (Salmo 46:1) Participar de bebedeiras e beber sem ter idade para isso muitas vezes acontece devido à pressão dos colegas. Por isso, talvez seja necessário fazer mudanças radicais na sua escolha de amigos e diversões. Não será fácil fazer essas mudanças, mas com a ajuda de Jeová você pode conseguir.

03/01/2009

EVOLUÇÃO DA QUÍMICA

Você pode pensar: Mas o que um computador tem a ver com Química? A produção de diversos materiais que constituem o computador depende dos conhecimentos de Química. E isso acontece também com muitos outros produtos presentes em nosso dia-a-dia, que em cuja composição a ciência está presente. Se compararmos os milhões de anos que sabemos existir vida humana na Terra com a curiosidade de saber do que é constituída a matéria, chegaremos à conclusão de que esta preocupação é muito recente. Provavelmente os primeiros a se preocuparem em especular sobre a constituição da matéria foram os gregos, há pouco mais de 2.400 anos.

O homem pré-histórico, por tentativas e erros, descobriu como lascar a pedra como construir armas e algo muito importante na história da matéria - o fogo - através do atrito entre pedaços de madeira.

Na história da química, foram também importantes, as descobertas de alguns metais, milhares de anos antes de Cristo. O ouro, que deve ter sido encontrado na forma de pepitas, o cobre, talvez livre ou chamando a atenção por sua cor quando alguma fogueira foi produzida em local onde havia o seu minério. De qualquer forma, aproximadamente 3000 a.C. o ser humano conhecia o chumbo, o cobre, o bronze (obtido da fusão do estanho com o cobre). O ferro, talvez conhecido através da queda de meteoritos, já era utilizado pelo hititas, 1500 a.C.

Enfim, as civilizações antigas desenvolveram a metalurgia e obtiveram o vinho, a cerveja, o vidro e uma série de outros materiais, sem se preocupar por que tais fenômenos ocorriam. Apesar disso, a contribuição das civilizações anteriores à Era Cristã não pode ser desprezada, pois foram conquistas importantes para desenvolvimento da ciência moderna.

Não é do conhecimento de todos, mas o estudo dessa ciência se relaciona com os avanços tecnológicos. Imagine se uma pessoa que viveu no século XVI pudesse viajar pelo tempo e ver as inúmeras novidades do século XXI? Ela iria encontrar, por exemplo, um aparelho chamado televisão que é um produto da era tecnológica na qual vivemos e se perguntaria: Como isso é possível?


A Teoria dos Quatro Elementos

A curiosidade dos filósofos gregos sobre a natureza levou-os a refletir e debater a respeito da constituição da matéria. Tales, ao perceber que a água poderia existir na forma líquida, sólida e gasosa, propôs, quase 600 anos a.C., que todo o universo era formado por água. Posteriormente, outro grego sugeriu ser o ar a base de tudo que existia sobre a Terra. No século V a.C. Heráclito supôs ser o fogo a base de tudo que existia.

Unindo estas três idéias e acrescentando a terra, Empédocles formulou a Teoria dos Quatro Elementos, segundo a qual ar, água, fogo e terra poderiam unir-se graças ao amor e desunir graças a força do ódio.

Dentre todas as concepções gregas sobre a matéria, a mais lembrada, já que foi retomada 24 séculos mais tarde, é a de Leucipo, defendida também pelo filósofo Demócrito. Segundo eles, a matéria seria formada por diminutas partículas, que não poderiam sofrer qualquer tipo de divisão, os átomos.

Pouco depois, Aristóteles, filósofo que teve grande liderança, criticou a filosofia atomista e complementou a Teoria dos Quatro Elementos. Segundo ele, qualquer um desses elementos poderiam ser transformados em outro, já que os quatro eram constituídos de algo em comum. Aristóteles defendeu muitas idéias que provavelmente atrasaram o desenvolvimento da Química e da Física em especial.

Apesar dos filósofos gregos terem sido os primeiros a se preocuparem com a composição da matéria, não se pode dizer que eles fizeram um trabalho científico, uma vez que ele era totalmente desvinculado da parte experimental.

Os Alquimistas e a Alquimia


É derivante da palavra árabe al-khimia que significa química, ou seja, era a química praticada na Idade Média. Os alquimistas acreditavam que todos os metais evoluem até se tornar ouro, devido a este pensamento os alquimistas buscavam acelerar este processo em laboratório por meio de experimentos com os quatro elementos (água, fogo, terra e ar).

Além da transmutação dos metais inferiores em ouro e da obtenção do elixir da longa vida, os alquimistas estavam empenhados na descoberta da pedra filosofal, a qual iria desencadear as demais buscas. Os alquimistas eram considerados pessoas de hábitos estranhos.

Apesar de inúmeros esforços os alquimistas nunca conseguiram produzir ouro. Porém através das experiências descobriram substâncias e também inventaram instrumentos que foram muito úteis para a ciência. Atualmente a antroposofia (ciência espiritual), faz analogia entre os princípios alquímicos e as forças básicas atuantes na alma humana.

No "atraso" representado pelas idéias de Aristóteles inspirou-se a Alquimia. Já que havia uma matéria comum aos quatro elementos e que bastava mudá-la, começaram eles buscar a pedra filosofal, capaz de transformar qualquer metal em ouro, e o elixir da vida, que teria como propriedade a capacidade de tornar-nos imortais.

Os Alquimistas, desde o início da Era Cristã até o século XVII, com sua busca incansável para obter a pedra filosofal e o elixir da vida, um misto de ciência com muito misticismo, foram muito importantes para a química moderna. Foram eles que legaram à ciência moderna a descoberta de muitas substâncias, além de instrumentos de laboratório e algumas técnicas das quais se velaram cientistas do século XVII.

Eles deixaram receitas sobre obtenção de pólvora, de alguns ácidos, bases e sais, do álcool através da destilação do vinho. Supõe-se que os elementos arsênio, antimônio, bismuto, fósforo e zinco também foram obtidos por eles. Talvez os principais legados dos alquimistas sejam a técnica e a aparelhagem utilizadas. Eles desenvolveram destilações, cristalizações, aparelhos para refinar metais e obter ligas (metalurgia), enfim, foram os autores das práticas de laboratório.

A Química Moderna


Robert Boyle é considerado por muitos o iniciador da Química Moderna, em meados do século XVII. No período da química moderna, Boyle conseguiu obter o fósforo branco a partir da urina (o fósforo já tinha sido obtido por um alquimista que descrevera seu brilho e sua capacidade de inflamar). Foi a partir de uma série de experimentos que Boyle conseguiu repetir o feito do alquimista e reconhecer o fósforo como elemento.

Em decorrência da postura e dos procedimentos utilizados nas ciências, busca-se um aperfeiçoamento constante. A química, como qualquer ciência moderna, procura explicações através da construção de modelos para justificar fatos experimentais. Hoje, muitos cientistas consideram Lavoisier, que viveu no século XVIII, o grande iniciador da química experimental.


A QUÍMICA DO AMOR


A ciência, criadora de amor?


A ciência estuda os mecanismos biológicos do amor e do desamor, problemas que "no futuro poderão ser resolvidos por meio da química", assegurou em julho à EFE o médico e escritor Federico Ortiz Quezada.
O especialista indica em sua obra "Amor e desamor" que "quando duas pessoas se atraem sexualmente, uma cascata de neurotransmissores percorre seu cérebro e seu corpo. Tais agentes são oxitocina, feniletilamina, adrenalina, noradrenalina, serotonina, dopamina, vasopressina e endorfina, assim como os hormônios sexuais testosterona e estrogênios".
Ortiz Quezada explicou que existe "toda uma série de hormônios relacionada ao relacionamento que está sendo investigada, e eles contribuem para que determinado tipo de animal seja fiel".
Além disso, lembrou que a química pode contribuir para solucionar problemas vinculados com a sexualidade, com medicamentos que resolvem problemas de disfunção erétil e menopausa, como a diminuição do desejo sexual, que é solucionada com a testosterona.
Existirá um elixir para a paixão? Será possível no futuro estimular quimicamente a atração? O amor, a confiança e o carinho parecem ter muita relação com os hormônios e são muito mais cerebrais e intelectuais do que imaginamos. Por Marina Villén

Sem dúvida há uma relação importante entre a química, a atração e os desejos sexuais. Algumas substâncias químicas (hormônios e neurotransmissores) são produzidos por nosso corpo em resposta a nossos próprios impulsos internos e a estímulos ambientais. Os hormônios sexuais são agentes químicos secretados pelos testículos e ovários, em conjunto com a supra-renal, e que são encaminhados ao nosso cérebro onde são recebidos por receptores específicos para influir na capacidade de reprodução e no impulso sexual. Os andrógenos (testosterona) estrógenos e a progesterona são os principais hormônios ligados as mudanças nos nossos corpos pelas respostas sexuais.
Os fatores genéticos e a produção de hormônios tem um papel determinante na morfologia sexual (características físicas) dos homens e das mulheres e dão um grande número de diferenças anatômicas, fisiológicas e bioquímicas entre eles. A identidade do gênero (homem ou mulher), a orientação e as preferências sexuais estão muito condicionadas pelo ambiente sócio-cultural.
A testosterona é o andrógeno ou hormônio sexual masculino mais importante; secretado pelos testículos que produzem e mantém os caracteres sexuais secundários: crescimento e desenvolvimento do pênis, escroto e testículos, barba e pêlos púbicos, alterações nas cordas vocais. Seu nível sanguíneo influi no aumento ou queda da libido (vontade) e do interesse sexual.
Os neurotransmissores, que são substâncias que interligam os neurônios cerebrais, cumprem uma função indispensável na ativação do impulso sexual, como por exemplo, quando as carícias e beijos levam a lubrificação vaginal e à ereção peniana.
O velho tema de que "todos somos iguais”, foi substituído pelo “nascemos igualmente diferentes”.

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